Plano de Arborização de Fortaleza pode atingir meta de plantio, mas especialistas e sociedade civil cobram outra ações

Plano de Arborização de Fortaleza pode atingir meta de plantio, mas especialistas e sociedade civil cobram outra ações

Dois anos após iniciar o Plano de Arborização de Fortaleza, a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente (Seuma) afirma que a cobertura vegetal de Fortaleza dobrou de 4 metros quadrados por habitante, em 2014, para 8 metros quadrados por habitante, em 2016. O aumento, segundo a coordenadora de Políticas Ambientais da Seuma, Edilene Oliveira, se deve às ações do Plano que incluem a doação e plantio de mudas de árvores nas comunidades, além da demarcação e regulamentação de parques urbanos, como o Rachel de Queiroz.

O tema foi debatido em Audiência Pública na sexta-feira,9, na Câmara Municipal de Fortaleza. A iniciativa foi da vereadora Larissa Gaspar (PPL). “A questão ambiental é um problema mundial mas a mudança deve começar literalmente pelo nosso quintal. A cobertura vegetal urbana é um desafio de toda grande cidade brasileira e Fortaleza está abaixo do índice ideal.”, afirmou.

Para Lia Parente, do Instituto de Planejamento de Fortaleza (Iplanfor), ainda é preciso se fazer correções de planejamento para se atingir o patamar considerado ideal pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 12 metros quadrados de área verde por habitante. “O município tem uma legislação que ainda desrespeita o que pede o Código Florestal Brasileiro. Tem lagoas que a área de proteção não respeita nem o espelho d’água. O plantio de árvores tem que estar casado com outras ações. Nossa legislação ainda permite a supressão de árvores, você tem lá uma mangueira centenária, paga R$ 50 e corta”, criticou.

O ambientalista João Saraiva criticou o modelo de estrutura da Seuma. “Essa secretaria precisa ser pura. Não estou ignorando o Urbanismo, é que não dá para um secretário que divide Urbanismo e Meio Ambiente levar para a balança como sendo os mesmos valores. Urbanismo é o primo rico, meio ambiente é o primo pobre.”

As experiências da Universidade Federal do Ceará (UFC) com o cultivo de hortaliças e plantas na capital foram apresentadas pelo professor Marcos Esmeraldo, do Núcleo de Ensino e Pesquisa em Agricultura Urbana da UFC.“Nós já estabelecemos um protocolo para a plantação de mudas de 40 espécies da caatinga. Quando se trabalha urbanismo é preciso fazer a escolha correta de cada espécie para as diferentes áreas da cidade. Sinto falta de um plano para a agricultura urbana na cidade”,afirmou.

Representando o coletivo Ceará no Clima, Érica Pontes, afirmou que as intervenções da gestão ambiental municipal não chegam à periferia, citando como exemplo a luta dos moradores da região do Bom Jardim pelo replantio e proteção no Parque Lagoa da Viúva. Érica também afirmou que tão importante quanto plantar é fazer o acompanhamento e garantir que a árvore se mantenha viva. “Um árvore para fazer todo seu benefício para a cidade leva décadas, dependendo da espécie”.

Karlo Kardozo, do coletivo Bem Viver e do movimento Raiz Cidadanista, reforçou a necessidade de um diálogo maior entre Prefeitura e comunidade na gestão ambiental. “É preciso um espaço, um observatório, que haja um diálogo, um repasse de saberes. Existe um conhecimento acumulado por professores, militantes, é necessário que Fortaleza se conheça”.

Beatriz Azevedo cobrou proteção ambiental nas áreas verdes da cidade, e fez denúncias de desmatamento e ocupação irregular de áreas protegidas na cidade. Ela cobrou que a Câmara Municipal fique atenta ao Plano de Uso e Ocupação do Solo.

Magda Helena Maya, geógrafa e doutora em Desenvolvimento, participou da elaboração do Fortaleza 2040, e fez duras críticas ao Plano de Arborização de Fortaleza. “Infelizmente a Seuma está muito mais interessada em saber quantas árvores vai plantar por uma questão numérica do que o planejamento e a manutenção do plantio. O Plano só vai funcionar se tiver planejamento, gerenciamento, manutenção e educação. Sem isso não vai funcionar. Que gestão ambiental é essa que tem nessa cidade?”, questionou.

Também participaram da Audiência representantes do Vira Mundo, Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Ceará, Autarquia de Regulamentação, Fiscalização e Controle dos Serviços Públicos de Saneamento Ambiental (ACFOR), movimento SOS Cocó, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema), a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCPS) e assessoria da vereadora Eliana Gomes.

Audiência Meio Ambiente