"Menstruação Sem Tabu" é protocolado na Câmara Municipal para combater pobreza menstrual

28/07/2020

O período menstrual afeta de diversas maneiras o cotidiano das mulheres e são muitas que sofrem com a falta de condições para garantir a higiene adequada durante o período menstrual. A pobreza menstrual, como é chamada, afeta meninas e mulheres cisgênero e também homens trans. Trata-se da limitação de  acesso a produtos para manter uma boa higiene no período da menstruação, também tem a ver com acesso à água e saneamento básico e à educação necessária para gerenciar sua higiene menstrual.
 
A vereadora Larissa Gaspar (PT) protocolou na Câmara Municipal de Fortaleza o Projeto "Menstruação Sem Tabu" que visa a distribuição de absorventes higiênicos e sustentáveis pela Prefeitura de Fortaleza para estudantes a partir do 5º ano do ensino fundamental da rede pública, pessoas acolhidas nas unidades e abrigos sob gestão do Município, em situação de vulnerabilidade, em situação de rua ou familiar de extrema pobreza. O projeto trata ainda da desoneração fiscal para diminuir o preço final de absorventes.
 
Dados
 
No Brasil não há nenhum levantamento oficial, porém uma pesquisa online feita pela Sempre Livre em 2018 com 9.062 brasileiras de 12 a 25 anos de idade revelou que, na faixa de 12 a 14 anos, 22% afirmam não ter acesso a produtos confiáveis relacionados à menstruação porque não têm dinheiro ou porque eles não são vendidos perto de casa.
 
De acordo com a ONU Mulheres, 12,5% das meninas e mulheres ao redor do mundo vivem na pobreza e o custo alto dos produtos de higiene as impede de acessar meios adequados e seguros. Por isso, muitas acabam usando folhas de jornal, sacolas plásticas, meias ou panos velhos para absorver o sangue, aumentando os riscos de infecção e colocando sua saúde em risco. Além disso, 1,25 bilhão de meninas e mulheres não têm acesso a banheiros seguros e privados e 526 milhões sequer tem banheiros disponíveis onde vivem.
 
Foto: Getty Images via Yahoo.